Samantha
Ele me olhou com profundos olhos castanhos cor de chocolate derretido.
- Claro.
Peguei sua mão, entrelaçando meus dedos nos dele e o levei escada acima pelo prédio até chegarmos no apartamento de número treze. Olhei-o nos olhos antes de colocar a chave na porta, parando para beijá-lo outra vez, meu dedos deslizando por seu cabelo grosso. Henri me apertou contra a porta ainda fechada, as mãos na minha cintura, me segurando firme. Arquejei, girando a chave e abrindo a porta.
Puxei-o para dentro, as mãos dele ainda me segurando, as minhas no seu cabelo, nossos rostos afastados só um pouco. Demorei quase um segundo para perceber a luz já acessa. Meus olhos percorreram a sala de estar, assustados, mas não havia nada que indicasse a presença de alguém.
Coloquei um dedo na boca, pedindo para Henri ficar em silêncio e me afastei dele. Caminhei sem fazer barulho, vasculhando cada canto que eu conseguia enxergar. Havia uma mochila de viagem jogada no chão do meu quarto.
- Mas que....? - eu comecei a dizer, mas fui interrompida quando um homem saiu do banheiro com uma toalha enrolada na cintura.
Um homem não. Era Michel. Meu ex-namorado. A mesma aparência de oito meses atrás - olhos azuis, cabelos pretos, sorriso maldoso - quando ele saiu em uma excursão pelo mundo e nunca mais falou comigo.
- Querida, você chegou finalmente. - ele sorriu para mim.
- O que você faz aqui? - consegui me forçar a falar.
Ele se limitou a apenas sorrir e andar até a sua mochila jogada no pé da minha cama, ignorando a presença de Henri.
- Você nem vai acreditar nas coisas que eu vi, querida. A América é realmente uma doideira.
- Faz oito meses. - eu murmurei. - Você não me dá notícias há oito meses.
- Mas eu voltei. - ele andou até mim e me abraçou, me roubando um beijo. - Você pode fazer algo para comer? Estou faminto. - ele deu um tapa na minha bunda e voltou para o banheiro.
Henri se mexeu desconfortável. Minha cabeça estava flutuando. Senti que começaria a chorar a qualquer momento, a raiva me invadindo.
- Acho melhor eu ir. - ele murmurou.
- Sim. - não consegui dizer outra coisa.
Eu sabia que deveria ir atrás dele, que deveria expulsar o louco do meu ex-namorado imediatamente e finalmente ficar com Henri, o estranho que me cativara em pouco tempo. Mas naquele momento, eu não consegui fazer nada a não ser observá-lo sumir.
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