Henri
Eu não tinha notícia da Samantha há três dias, quando encontramos o namorado dela. Minha mente andou confusa desde então. As coisas tinham acontecido tão rápido entre nós, mas uma parte de mim estava começando a pensar que poderia dar certo dessa vez , apesar disso. Havia algo em Samantha que me deixava fascinado. Talvez fossem seus olhos inteligentes, ou a postura culta e madura para uma menina de dezenove anos, ou o jeito como ela andava, confiante de si mesma, não sei. Mas a ruiva realmente tinha me cativado.
- Sabe o que eu não entendi? - murmurei para Louis, que estava sentado na mesa ao lado da minha - Ela não estava feliz por ele estar lá, eu podia ver isso em seus olhos, ela o queria longe. Então por que eu que saí por aquela porta?
Louis suspirou.
- Vai ver ela estava confusa. Mulheres são confusas.
- Não a Sam, ela não é como as outras.
- Você nem a conhece, Henri.
Dei de ombros.
- Para de se torturar, a culpa não foi sua. Eu sinto muito por não ter dado certo, mas agora você tem que seguir em frente. Existem mulheres melhores do que Samantha.
- Existem, é?
Pulei da cadeira ao ouvir aquela voz. Era ela. Samantha estava parada na porta, usando um jeans escuro, uma camisa branca e uma touca cinza, os olhos azuis semicerrados.
- Você sabe o quanto foi difícil te encontrar, Henri Pierre? - ela perguntou, sua voz assumindo um tom de raiva. - Existem muito fotógrafos chamados Henri. Ah, e obrigada por me deixar esperando para o almoço.
- Não achei que você estivesse disponível, não depois que o seu namorado apareceu.
- Ex-namorado. - Samantha frisou. - Ex. E não se preocupe com ele, Michel está agora mesmo procurando outro apartamento e me esquecendo, com todas as suas coisas enfiadas naquela mochila horrível. Eu o mandei ir para o inferno.
Não pude conter um sorriso. Olhei para Louis, mas ele tinha sumido em algum momento após Samantha chegar. Só estávamos nós dois na pequena recepção do estúdio.
- Pare de sorrir como se tivesse ganhado o mundo. - ela riu.
- Eu ganhei você? - perguntei andando até ela e a puxando para meus braços.
- Talvez. - ela não fez resistência ao meu abraço.
- Então eu realmente ganhei o mundo.
- Cala a boca. - ela riu outra vez.
E eu calei, mas de qualquer jeito eu estava ocupado demais beijando-a para falar o que quer que fosse.
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