Henri
- Sarah! - a mãe de Samantha praticamente gritou. - Peça desculpas agora!
Sarah apenas me olhou, seus olhos azuis semicerrados, a raiva transparecendo por eles de um jeito que não parecia que ela só tinha seis anos, me desafiando.
- Tudo bem... - comecei a murmurar, tentando acalmar as coisas.
- Não. - silenciou-me Samantha. Virou para a irmã e falou numa voz fria que eu jurava não ser dela. - Você vai pedir desculpas ao Henri agora. Não vou falar de novo.
- Não vou pedir desculpas porque não estou mentindo. Não quero ele aqui, não quero ele com você. - ela retrucou , encarando Samantha com o mesmo olhar frio, mas a voz vacilando um pouco. - Ele não presta.
Respirei fundo. Eu não achava que Sarah seria o problema, muito pelo contrário, achei que ela me adoraria. Havia tanto em comum entre nós dois que eu realmente acreditei que nos daríamos bem. Mas aqui estava ela, minha pequena inimiga, me querendo fora da vida da sua irmã.
- Pro seu quarto. - mandou Adeline.
Sarah bateu os pés, mas obedeceu. Ela tinha muita atitude para uma criança.
- Deixa para lá, minha Sam. - murmurei antes de abraçá-la.
- Me desculpe, ela nunca fez esse tipo de coisa antes.
- Está tudo bem.
Samantha me abraçou de volta, mas eu sabia que ela não acreditava em mim. Não estava nada bem. Sarah era a peça chave para o nosso relacionamento engatar, era a parte mais importante da vida de Samantha e o fato dela não gostar de mim não ajudava nada.
- O jantar está pronto. Me ajuda, Sam querida? - Adeline anunciou, tentando melhor o clima do ambiente.
- Onde fica o banheiro? - sussurrei.
- Lá em cima, terceira porta a esquerda. - Samantha me respondeu antes de ir ajudar a sua mãe.
Subi as escadas, minha cabeça começando a girar. O que fazer quando você vai conhecer a família do seu possível amor da sua vida e uma parte dela diz que você não presta?
- O que você faz aqui?
Sarah estava parada no final do corredor, a postura firma, os braços cruzados no peito.
- Procurando o banheiro.
- Você a ama?
- Não sei. - hesitei, pensando nisso. - Gosto muito da sua irmã, mas é muito recente para falar em amor.
- Você não a ama. - murmurou ela, a voz começando a embargar. - Não a ama. Que nem o Michel. Ele também não a amava, mas Sam o amava muito e ele quebrou o coração dela em mil pedacinhos. Foi horrível o que ele fez com ela, ela...
Havia lágrimas em seus olhos, tornando-os ainda mais azuis. Sarah tremia.
- Nunca vou machucá-la. - sussurrei. - Prometo a você, pequena.
- Ela não pode ter o coração quebrado outra vez, Henri, ela não vai suportar. Você não viu como ela ficou... por favor, não a machuque, não a machuque, por favor, por favor. - ela começou a soluçar.
Não me contive e abracei a menina, aninhando-a em meus braços. Ela parecia uma boneca de porcelana, prestes a quebrar, soluçando mais e mais forte.
- Hey, hey, pequena, está tudo bem. Eu não vou magoar sua irmã, eu realmente gosto dela, ela é a coisa mais importe que já me aconteceu.
Sarah assentiu, ainda tremendo. Afaguei seus cabelos pretos, acalmando-a.
- Ainda não gosto de você. - ela murmurou, mas enterrou o rosto no meu pescoço.
Não pude conter o sorriso.
- Você vai mudar de ideia, pequena, ou então eu lhe farei muitas cócegas.
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