Henri
Eu tinha fotografado as duas brincando quase que a tarde toda, deixado a Sarah usar minha câmera e a ensinado sobre foco e flash. Me surpreendi ao ver a qualidade das fotos que a pequena tinha tirado após eu lhe ensinar algumas técnicas. Sarah tinha muito talento.
- Você está atrasado. - Louis me cumprimentou.
- Um minuto. - revirei os olhos - O que foi?
- Clientes novos.
Suspirei.
- Uma marca nova de roupas pediu para que fizéssemos um catálogo.
- Ok, vamos ver isso. - murmurei sentando na minha mesa e começando a descarregar as fotos do parque.
Comecei a separar as fotos que havia tirado naquela tarde. Samantha estava radiante com seu vestido branco com estampa de andorinhas, o cabelo laranja brilhando com a luz do sol. Ela ria em algumas fotos, em outras estava distraída ou fazendo caretas.
- Podíamos escalar Ada, Dorine, Graziella e Maëlle. - disse Louis. - Elas ficam boas em catálogos.
- Uhum. - murmurei olhando para uma foto de crianças brincando na grama.
- A Juliette também ficaria bem, e faz algum tempo que não a fotografamos.
- É.
- Henri? Você está me ouvindo?
- Por que nós fazemos isso, Louis? Por que fotografamos essas modelos?
- Sei lá, nós ganhamos por isso e o dinheiro é bom,
De fato era. Eu tinha um estilo de vida bastante elevado.
- Sim, mas será que vale a pena?
- Não estou entendendo. Onde você quer chegar?
Comecei a andar pela sala.
- Não tem emoção nas nossas fotos, não tem sentimento sabe? É completamente vazio, sem vida. Nossas fotos não passam nada. - eu murmurei agitado. - O que eu quero dizer é que o único propósito das nossas fotos é vender coisas. Eu não me tornei fotógrafo para isso. - apontei para a foto da tela do computador. - Sempre foi isso que eu quis, fotografar a vida, não modelos em pele e osso.
Louis apenas me olhou como se eu estivesse ficando louco.
- Não quero, não quero mais isso.
- Henri, você não pode estar falando sério. Nós demoramos para conseguir tudo isso, trabalhamos duro.
- Eu sei, Louis, eu sei. Mas eu não consigo mais continuar. Trabalhar aqui está me consumindo, sempre me matou por dentro, mas eu nunca me toquei até passar esses dois meses com Samantha. - eu dei um meio sorriso. - Sinto muito, Loius. Venho buscar minhas coisas amanhã; estou deixando o estúdio para você.
Então eu simplesmente saí, ignorando os chamados do meu melhor amigo, me sentindo livre pela primeira vez em muito tempo.
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